terça-feira, 22 de maio de 2012

Sempre perdemos com comparações


Parece que o ser humano precisa fazer comparações para encontrar soluções e desvendar valores. Mas será que precisamos ficar comparando as pessoas ao nosso redor e também nos comparamos aos outros para encontrarmos o que procuramos? Será que ao compararmos, estamos sendo razoáveis ou apenas avaliando os pontos negativos do que é observado? Temos como fugir de comparações?
Comparações existem o tempo todo ao nosso redor: pais comparam as características de seus filhos, professores fazem uma média de notas da turma, os parceiros distinguem os seus amores atuais dos anteriores fazendo comparações e tudo isso porque toda comparação é acompanhada de uma expectativa sobre o é comparado.
O que seria essa expectativa? Qualquer ideia em torno do relacionamento, sobre como o outro “deveria” se posicionar e até mesmo pensar? Quando acreditamos em moldes préestabelecidos, nos enrijecemos a tal ponto que criamos à nossa volta expectativas que o mundo precisa preencher, ou seja, colocamos todos ao nosso redor e até nós mesmos cobertos de tarefas a serem exercidas para que nós possamos ser felizes.
Quando nos colocamos nesta posição, criamos uma grande teia de vaidades que causa o sofrimento de estarmos presos ao ato de preencher expectativas e assim, ficamos imersos em um ambiente de tensão, de tédio e de grande insatisfação com tudo e com todos, nada nunca nos agrada, sempre há defeitos, erros, algo para ser consertado e administrado só por nós porque nem mesmo acreditamos na capacidade dos outros de fazerem o que é certo e até mesmo podemos começar a acreditar que somos os “donos da razão” ou o “centro da sabedoria universal”.
Tudo isso estraga os nossos relacionamentos porque incomodamos muito quando transmitimos a mensagem a alguém de que ela é uma pessoa incapaz e vazia de algo que “deveria ter”. Você entende como podemos fazer mal a uma pessoa achando que estamos fazendo o bem? Como podemos acreditar que realmente somos capazes de “melhorar” alguém?
Geralmente, quem acha que pode fazer dos outros o seu brinquedo de moldar está cheio de expectativas não preenchíveis sobre si mesmo e espelha essa frustração no outro apontando os “defeitos” do outro e afirmando que o outro não é bom suficiente. Os outros para esse tipo de pessoa podem ser apenas uma fuga do seu principal problema – si mesmo e suas idealizações do que é ser perfeito.
Quem sofre com esse comportamento pode ser pessoas que querem sempre estar no poder, porque se acham a responsáveis pela ordem e pela melhoria dos lugares onde estão. Sobre o lado emocional dessas pessoas, é possível perceber o quanto elas vivem na completa insatisfação consigo mesmas e espalhando isso ao seu redor, querendo sempre detectar e apontar os “erros” alheios.
Os que estão ao seu redor sofrem e muito por terem a sua individualidade anulada e serem vistos como alguém comprometido por ter erros em seu comportamento. Se eles não tiverem uma personalidade forte para aceitar o que o outro impõe, podem se deixar levar pela manipulação alheia em prol de algum benefício, mas sempre se sentirão inferiores aos modelos estabelecidos como perfeitos.
Viver em sociedade é saber que seremos comparados? Com toda certeza a resposta é sim, infelizmente podemos sofrer com as comparações ou não darmos importância a isso. Mas, aprender a ver e a aceitar o lado bom de cada indivíduo, entender que cada um de nós tem uma maneira de agir e de pensar e expandir nossa flexibilidade sem perder a nossa maneira própria de ser pode ser muito mais prazeroso do que correr atrás de uma perfeição que não existe.
Também é importante entender que haverá sempre pessoas querendo extrair de nós o nosso diferencial para nos colocarmos dentro do “padrão de qualidade ideal” e o importante é nos descobrirmos como únicos e verdadeiros, dotados de qualidades que merecem ser respeitadas por serem originais.

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