quinta-feira, 31 de maio de 2012

Como escrever a sua própria história

           Escrever sobre nossa história pode ser um momento de grande conhecimento sobre nós mesmos. Muitos de nós já tivemos uma vontade de escrever, ou até pedir alguém para escrever sobre nós para ter um registro sobre o que vivemos, mas em muitas situações, falta saber como começar a escrever e o que colocar dentro dela.
Sobre o conteúdo, não se importe muito com a forma, dê a você mesmo o prazer de se libertar através da escrita e não se aprisionar com o que ditaram como regras. Escrever de forma coerente e prazerosa pode acontecer ao mesmo tempo e lembre-se do mais importante: você está escrevendo para si mesmo.
Escrever sobre si pode ser algo muito prazeroso, algo que te faça relembrar de momentos que você passou de aprendizado, de alegrias e também do que não foi tão bom assim, mas foi superado por você. Aliás, viver pode ser ultrapassar as expectativas do que temos como ideal e tecer experiências com a realidade.
Cada um de nós em sua vida traz uma riqueza de aprendizados que compõe o nosso quotidiano e isto pode servir como um impulso quando nos faltar ânimo, além de também ajudar a organizar o que você escolhe fazer com o seu futuro.
Escolher escrever sobre nossa vida pode te ensinar a dedicar tempo a si mesmo, a descobrir o quanto damos importância a assuntos que não merecem tanta importância de nossa parte e traz para nós uma dose imensa de reflexão que pode ser muito prazerosa e reveladora.
Além disso, como educadora, vejo como muito positivo estimular desde cedo as crianças a escreverem as suas experiências assim como pessoas em qualquer idade podem começar a escrever sobre suas vidas, pois ao escrevermos sobre nossa história, entramos em contato com nossas emoções, nossos sentimentos, podemos ter uma visão mais ampla sobre como reagimos em nossas relações e sobre o que desejamos fazer e realmente conseguimos. Com isso, aprendemos muito sobre nós, sobre nossa maneira de nos expressar e o que nos faz feliz e o porque de sentirmos determinadas dores emocionais.
Eu sou adepta de diários de viagem e também quando há algo que preciso entender melhor, busco a escrita para analisar as minhas emoções sobre o assunto, se elas me dificultam a realização do meu objetivo ou se estou no caminho certo, fazendo o melhor que posso.
Assim como tem gente que tem vergonha de dizer que faz terapia ou análise para se conhecer, também tem pessoas que não conseguem sentar e escrever sobre elas e outras que não assumem que escrevem sobre suas vivências. Quanta bobagem, não? Será que estamos fazendo algo de errado ao escrever? Não seria uma falta de coragem de assumir o que gostam de fazer? Já que não estamos fazendo nada de mal a ninguém, então por que foi criada essa imagem negativa sobre diários e biografias e ainda alimentamos isso?
Bom, o que eu posso afirmar por própria experiência em sala de aula é ter observado atitudes de adolescentes que buscam autoafirmação ridicularizando aqueles que gostam de escrever sobre si mesmos. Não seria um recalque da parte de quem ridiculariza por não se achar capaz de escrever sobre o que vivenciam? O que o impulsiona não seria uma grande raiva sobre si mesmo porque não se acha bom o suficiente para escrever algo interessante? Acredito que sim.Será que fugimos de críticas justamente porque não queremos ouvir as mesmas zombarias da adolescência?
Então, quando começar?  Quando você quiser! Basta ter um papel, um documento no computador, uma gravação de áudio ou de vídeo, você pode escolher. Para quem se interessar, mãos à obra!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Sempre perdemos com comparações


Parece que o ser humano precisa fazer comparações para encontrar soluções e desvendar valores. Mas será que precisamos ficar comparando as pessoas ao nosso redor e também nos comparamos aos outros para encontrarmos o que procuramos? Será que ao compararmos, estamos sendo razoáveis ou apenas avaliando os pontos negativos do que é observado? Temos como fugir de comparações?
Comparações existem o tempo todo ao nosso redor: pais comparam as características de seus filhos, professores fazem uma média de notas da turma, os parceiros distinguem os seus amores atuais dos anteriores fazendo comparações e tudo isso porque toda comparação é acompanhada de uma expectativa sobre o é comparado.
O que seria essa expectativa? Qualquer ideia em torno do relacionamento, sobre como o outro “deveria” se posicionar e até mesmo pensar? Quando acreditamos em moldes préestabelecidos, nos enrijecemos a tal ponto que criamos à nossa volta expectativas que o mundo precisa preencher, ou seja, colocamos todos ao nosso redor e até nós mesmos cobertos de tarefas a serem exercidas para que nós possamos ser felizes.
Quando nos colocamos nesta posição, criamos uma grande teia de vaidades que causa o sofrimento de estarmos presos ao ato de preencher expectativas e assim, ficamos imersos em um ambiente de tensão, de tédio e de grande insatisfação com tudo e com todos, nada nunca nos agrada, sempre há defeitos, erros, algo para ser consertado e administrado só por nós porque nem mesmo acreditamos na capacidade dos outros de fazerem o que é certo e até mesmo podemos começar a acreditar que somos os “donos da razão” ou o “centro da sabedoria universal”.
Tudo isso estraga os nossos relacionamentos porque incomodamos muito quando transmitimos a mensagem a alguém de que ela é uma pessoa incapaz e vazia de algo que “deveria ter”. Você entende como podemos fazer mal a uma pessoa achando que estamos fazendo o bem? Como podemos acreditar que realmente somos capazes de “melhorar” alguém?
Geralmente, quem acha que pode fazer dos outros o seu brinquedo de moldar está cheio de expectativas não preenchíveis sobre si mesmo e espelha essa frustração no outro apontando os “defeitos” do outro e afirmando que o outro não é bom suficiente. Os outros para esse tipo de pessoa podem ser apenas uma fuga do seu principal problema – si mesmo e suas idealizações do que é ser perfeito.
Quem sofre com esse comportamento pode ser pessoas que querem sempre estar no poder, porque se acham a responsáveis pela ordem e pela melhoria dos lugares onde estão. Sobre o lado emocional dessas pessoas, é possível perceber o quanto elas vivem na completa insatisfação consigo mesmas e espalhando isso ao seu redor, querendo sempre detectar e apontar os “erros” alheios.
Os que estão ao seu redor sofrem e muito por terem a sua individualidade anulada e serem vistos como alguém comprometido por ter erros em seu comportamento. Se eles não tiverem uma personalidade forte para aceitar o que o outro impõe, podem se deixar levar pela manipulação alheia em prol de algum benefício, mas sempre se sentirão inferiores aos modelos estabelecidos como perfeitos.
Viver em sociedade é saber que seremos comparados? Com toda certeza a resposta é sim, infelizmente podemos sofrer com as comparações ou não darmos importância a isso. Mas, aprender a ver e a aceitar o lado bom de cada indivíduo, entender que cada um de nós tem uma maneira de agir e de pensar e expandir nossa flexibilidade sem perder a nossa maneira própria de ser pode ser muito mais prazeroso do que correr atrás de uma perfeição que não existe.
Também é importante entender que haverá sempre pessoas querendo extrair de nós o nosso diferencial para nos colocarmos dentro do “padrão de qualidade ideal” e o importante é nos descobrirmos como únicos e verdadeiros, dotados de qualidades que merecem ser respeitadas por serem originais.